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100 jogos: Histórias de Tiago Nunes

Créditos: Miguel Locatelli/Site Oficial

Mais uma marca. Contra o Fluminense, nesta quinta-feira (17), o técnico Tiago Nunes completará 100 partidas no comando dos profissionais do Athletico Paranaense. Mais um número que deixa o treinador na história do Furacão.

Com quatro taças conquistadas, três delas até então inéditas, Tiago Nunes é o técnico mais vitorioso da história do Rubro-Negro [veja a lista abaixo]. Levantou os troféus do Campeonato Paranaense 2018, da Conmebol Sul-Americana 2018, da Levain Cup e também da Copa do Brasil 2019.

O treinador chegou ao CAT do Caju em 19 de abril de 2017, para comandar a categoria Sub-19. “Eu me lembro da primeira entrevista que eu dei, na minha apresentação na categoria de base, que era para aprender e compartilhar um pouco da experiência de já ter trabalhado com equipes profissionais. Essa tranquilidade de não ter a velocidade de chegar logo na equipe principal fez com que as coisas acontecessem muito mais rápidas do que eu pudesse imaginar”, contou Tiago Nunes.

No início de 2018, ele assumiu a equipe de Aspirantes para a disputa do Campeonato Estadual. Conquistou a taça e, no final de junho, iniciou o trabalho no time principal athleticano.

“Agora, estou olhando para todas essas taças e começo a perceber o tamanho do negócio. Porque a gente está tão inserido em ganhar do próximo adversário, que a gente esquece que tudo isso já foi conquistado. ‘A fome do torcedor’ em ganhar o próximo e ganhar mais, mais e mais, é repassada para gente. Às vezes, é bom poder sentar um pouquinho, olhar com um certo deslumbramento e conseguir curtir essas conquistas, que são maravilhosas”, destacou.

Em 99 partidas nos profissionais, contando a disputa do Paranaense de 2018, o treinador de 39 anos soma 51 vitórias, 22 empates e 26 derrotas. Um aproveitamento de 58,33%. O Athletico marcou 150 gols e sofreu 80.

Mas tudo isso você já sabe, é claro. O que você não conhece são as histórias de bastidores e curiosidades que o Tiago Nunes contou para nós, na véspera do centésimo jogo.

1) Deivid garante o jantar

“Aquele jogo [vitória por 2 a 1 sobre o Maringá, em 20 de janeiro de 2018] foi algo muito bacana. Conversei no dia anterior com o Felipe, nosso treinador de goleiros. Nós estávamos falando sobre quais jogadores iriam para a área tentar o cabeceio para fazer o gol em uma bola parada ao nosso favor. E eu falei que o Deivid também ia, e ele ia fazer gol. E o Felipe falou: ‘Se o Deivid fizer gol, eu pago um jantar para todo mundo, porque o Deivid não faz gol nunca’. E o primeiro gol do campeonato, o primeiro gol da minha trajetória no Athletico dirigindo uma equipe profissional, foi com um gol do Deivid.

Um volante identificado com o Athletico, que foi o capitão do time, que levantou essa taça. Ficou em boas mãos, porque foi um cara que nos ajudou muito na trajetória e tem todo esse carinho e ligação com o torcedor athleticano e com o Clube.”

2) Avião com 54% de chances de cair

“Eu lembro de uma fala com os atletas, que foi no primeiro vídeo próximo da estreia contra o Cruzeiro, no Mineirão. Eu falei: ‘Hoje a gente tem 54% de chances de ser rebaixados’. E perguntei se na viagem da sexta-feira alguém entraria em um avião que teria 54% de chances de cair. Os caras ficaram meio assustados e falaram que jamais. Esse era o nosso cenário, porque parecia que não ia acontecer, que a gente ia se recuperar. Começamos ‘a nos fechar’ e entendemos que teríamos que trabalhar muito para dar certo.”

3) Ninguém mais treina pênalti

“A final foi interessante, porque na véspera da nós preparamos um material de vídeo que foi divulgado, que a gente queria que a Arena da Baixada conversasse com os jogadores. Nós passamos esse vídeo no telão para os jogadores.

Eu tinha essa ideia há um tempo na cabeça, pedi para o pessoal da Comunicação fazer e foi muito legal. Nós tivemos uma conversa da Arena com os jogadores, porque seria provavelmente uma das únicas oportunidades de se decidir um título em casa, porque iria mudar o formato, como mudou neste ano, em um campo neutro, a menos que a equipe da casa consiga chegar à final.

E a Arena da Baixada deu um recado de que a gente precisava fazer aquilo acontecer, no dia seguinte.

E nós treinamos pênaltis neste dia, e nós fomos muito mal nas cobranças. Praticamente todos os cobradores erraram, estava todo mundo com desconfiança. A gente ia fazer três rodadas de batida de pênaltis. A gente fez a primeira e foi muito mal.

Começamos a segunda e mandei parar. ‘Não vamos treinar mais pênaltis, porque se for para ser nós, vamos ganhar. Se for pros pênaltis, nós vamos ganhar. E quem tiver que bater, vai bater bem. Esquece o que a gente treinou aqui e vamos ver o que acontece, vamos nos preparar para o jogo.’

E aconteceu de ter todo aquele drama, aquela história de filme, de um time que começa muito confiante, faz um gol, recua porque está preocupado em segurar o resultado e acaba parando de se expôr. O adversário cresce, empata, tem a chance de virar.. e aí a mágica do futebol.

A mágica daquela Arena que conversou com os jogadores fez a diferença. Aquela Arena fez com que aquela bola não entrasse e a gente conseguiu ir para os pênaltis. E nos pênaltis, eu tinha certeza que não ia escapar mais, porque era muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo, era muita coisa conspirando, e a gente foi campeão de maneira única e marcante.”

Quer ver mais histórias? Assista ao vídeo!

Treinadores campeões
Paranaense 1925 – Não tinha
Paranaense 1929 – Não tinha
Paranaense 1930 – Não tinha
Paranaense 1934 – Não tinha
Paranaense 1936 – Não tinha
Paranaense 1940 – Não tinha
Paranaense 1943 – Antônio Carbô
Paranaense 1945 – Não tinha
Paranaense 1949 – Ruy Santos (Motorzinho)
Paranaense 1958 – Jackson, Caju e Stenghel Guimarães
Paranaense 1970 – Alfredo Ramos
Paranaense 1982 – Geraldo Damasceno
Paranaense 1983 – Lori Sandri
Paranaense 1985 – Otacílio Gonçalves
Paranaense 1988 – Nelsinho Baptista
Paranaense 1990 – Zé Duarte
Brasileiro Série B 1995 – Pepe
Paranaense 1998 – Abel Braga
Seletiva da Libertadores 1999– Vadão
Paranaense 2000 – Vadão
Paranaense 2001 – Flávio Lopes
Brasileiro 2001 – Geninho
Paranaense 2002 – Riva Carli
Paranaense 2005 – Edinho Nazareth
Paranaense 2009 – Geninho
Paranaense 2016 – Paulo Autuori
Paranaense 2018 – Tiago Nunes
Conmebol Sul-Americana 2018 – Tiago Nunes
Paranaense 2019 – Rafael Guanaes
Levain Cup 2019 – Tiago Nunes
Copa do Brasil 2019 – Tiago Nunes

Comentários

JOAO MARIA SEMKIW DE ANDRADE
4 semanas

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Grande Thiago, merece todas as homenagens e valorização. Respeito as opiniões de todos mas sou a favor de dar oportunidade de crescimento do profissional em outros Centros maiores.