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“Flavorecimento”: Leia a opinião de Mario Celso Petraglia publicada na Folha de S.Paulo

A opinião de Mario Celso Petraglia foi destaque na edição deste sábado (14) da Folha de S.Paulo

Petraglia respondeu à pergunta: “O modelo de divisão das cotas de TV para os clubes de futebol é adequado?”. 

Clique aqui para ler a coluna no site da Folha de S.Paulo ou confira abaixo:

Flavorecimento

Uma vez favorecido, sempre favorecido. Todo monopólio parte do princípio de que não é aberta a outros a participação no grupo daqueles que controlam um sistema e determinam as regras que o operam. Toda iniciativa para mudar qualquer ordem nessa dinâmica tende a ser frustrada, pois o teto de cada um é pré-estabelecido pelos próprios organizadores desse sistema.

É importante fazer este ponto antes de começar a responder à questão trazida para este debate: “O modelo de divisão de cotas de TV para os clubes de futebol é adequado?”

Nós, do Athletico, estamos há mais de vinte anos dizendo que NÃO. Antes mesmo de haver questionamentos a respeito dessa adequação. Antes de a mídia se modernizar e de o termo “cotas de TV” soar anacrônico. Antes do streaming, de comunicação multiplataforma, de tecnologia de produção e transmissão mais acessíveis. 

Mas parece que ainda vivemos no Brasil que liga a TV para ver um só canal, com uma só linguagem e abordagem. É algo que permanece há mais de meio século e os mais favorecidos dizem que “tem que manter isso aí”, agindo pesado contra qualquer mudança. 

É determinante a quebra desse modelo para que o Brasil retome seu protagonismo como escola no futebol mundial, pois paramos no tempo.

O sistema não tem interesse em desenvolver o futebol brasileiro, mas em desenvolver um ou dois times como se eles representassem todo o país. O consórcio do poder foi bem sucedido na construção dessa pirâmide que distribuiu os clubes em castas. Se por um lado foi desenhado o organograma de influências, por outro foi determinado o tempo de exposição e de valorização e estabelecidos os personagens nessa pirâmide. O que estamos vendo agora é apenas a consolidação desse plano, que só não havia sido atingida ainda por más gestões.

Criou-se uma narrativa de que toda audiência nacional se interessa e quer ver Flamengo. Uma euforia fomentada por matérias em clima de mobilização, de que há algo muito importante acontecendo quando o time da ponta da pirâmide joga. E essa ideia de “maior time do país” se manteve, independente de resultados. 

Como um time com tanto apoio teve tão poucas conquistas ao longo das décadas em proporção às suas possibilidades? Os títulos e o domínio técnico à altura do seu favorecimento só vieram quase quarenta anos depois do primeiro título de expressão, e mesmo assim, durante todo esse tempo, o sistema não se alterou. Nada foi construído para que os mais organizados alcançassem os resultados, mas para que “os escolhidos” possam ser beneficiados de várias formas até que confirmem finalmente sua força.

Típica meritocracia à brasileira. Imagino se fossemos nós do Athletico com tanto vento à favor. Nós focamos no trabalho e na competência para forçar uma mudança de patamar a custa de muita ousadia, planejamento, sangue e suor.

O paradoxo é que, justamente quando o objetivo é alcançado, o sistema mostra sua saturação: a discrepância fica tão contrastada que expõe o favorecimento. Fica clara a necessidade de redistribuição dos valores, mais em linha com o cenário esportivo e tecnológico atuais. Fica gritante a urgência da mudança na legislação que permita o aporte de capital internacional nos clubes, como é há tempos nos maiores centros do futebol, e fazer com que os melhores atletas do mundo joguem em uma liga forte aqui no Brasil.

É preciso mudar para que no futuro não tenhamos apenas um time entrando em campo e todos perdendo por WO.

 

Comentários

JOBECI DOMINGUES PEREIRA JÚNIOR
8 meses

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Já falamos isso várias vezes aqui no Rio sobre esse absurdo, os outros clubes deveriam fazer uma Liga Nacional e abandonar a Dona CBF e Rede Globo, deixando Corintians e Fla com suas megas cotas sozinhos, outros canais e streaming irão com certeza se interessar nessa ideia, está aí lançado a ideia!!!

ORLANDO BONIOLI JR.
8 meses

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Infelizmente em nosso pais, quem tem o poder determina para onde vai os recursos. Tem que mudar isso.

Marcelo Cidade Vieira
8 meses

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Fantástico presidente...penso o mesmo...

Milton Jacques Silva
8 meses

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Excelentes palavras que só poderiam ser trazidas a público por essa pessoa que se traduz nos 4 ventos de nosso Furacão: PETRAGLIA! Orgulho de ser Athleticano por tudo aquilo que o Club representa dentro de campo, quanto em suas diversas ações, sejam civicas-sociais (FEB, campanhas diversas, marketing etc), sejam por posicionamentos! Parabéns, mais uma vez!

Julio Cezar Souza
8 meses

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Temos um excelente técnico em casa, que conhece a nossa filosofia de trabalho. Eduardo Barros JÁ!!!!!!!!!!!!!!!

JULIO SERGIO DE SOUZA CASTRO
8 meses

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Muito bem colocado, lutemos diariamente contra a imposição de valores e costumes que não são nossos. A polarização imposta pela mídia do Eixo coloca de uma lado um Clube sem estádio, centenas de vezes favorecido pelo capital público como nos anos do patrocínio Lubrax e do uso praticamente sem custos do Estádio Mario Filho e do outro um Clube que construiu seu estádio no meio do nada e não consegue pagá-lo após o fim do apadrinhamento estatal, Clube notoriamente conhecido pela usual ajuda de árbitros e bandeiras. Esses Clubes não representam o Brasil, ao contrário essa imposição avilta a multiplicidade cultural e étnica que forma o povo brasileiro, não somos formados apenas por "peixes" e ou "manos".

Josenildo De Mattos
8 meses

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CAP GIGANTE , M.C.P !

Daniel Palhano
8 meses

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Tudo dito acima está correto. Mas, como pode times como o Cruzeiro ou Grêmio, pagarem salários astronômicos para jogadores? São times fora do eixo RJ-SP!!! Como pode isso? Acho que o Flamengo é o time da Globo, e é beneficiado com isso na maior cara de pau, porém, o Athletico Paranaense continua com uma política ainda muito pobre (investimentos), coisa de quem mostra ter pouco dinheiro, e não tem pouco dinheiro, tem muito. E se não trazem atletas caros e jogadores bons, pra onde vai o dinheiro das negociações? Pablo e Renan Lodi, por exemplo? O Athletico é muito bem administrado, mas essa história de "teto salarial", etc...é coisa que ouvimos há anos, e é exatamente por isso, que o Athletico tem desde 2001, apenas dois títulos importantes (Sul-americana e Copa do Brasil). É muito pouco pra um clube que se diz ser rico e que tem a melhor estrutura do Brasil, CT, Estádio, marca, etc... Quem traz TÍTULOS E MAIS TÍTULOS (bem no plural), são os jogadores. É por isso que vemos a Arena da Baixada vazia. Sem jogadores que são a atração no Furacão, o interesse diminue, infelizmente! É preciso arriscar e ousar! Política da "mão-de-vaca" ficou pra trás! Não estamos na era do protagonismo? Então, pra protagonizar é preciso tirar o escorpião dos cofres, contratar craques e esperar títulos importantes. É preciso arriscar. Se isso não acontecer, essa história de "outro patamar" ficará apenas na conversa pra boi dormir!

Almeida Antonio Rodrigues
8 meses

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O texto, faz uma leitura absolutamente correta e inteligente do que ocorre a nível nacional do nosso futebol. A guerra só deve acontecer com o apito inicial e finalizar no apito final. No mais, é burrice explícita, é jogar contra o nosso Estado, é pensar miúdo Temos que somar e nunca dividir, só assim tornaremos grandes e fortes para enfrentar os poderosos.

PAULO ROBERTO MARINS DE SOUZA
8 meses

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Petraglia foi na jugular: o sistema atual torna o futebol brasileiro uma Índia, sem chance de mudar de casta, favorecendo os mais poderosos. E isso, em todas as escalas, pois são centenas de times tradicionais, em todas as divisões, vivendo à míngua. E acho que os percentuais de torcidas, por isso mesmo, são questionáveis. As apostas da Timemania, da Caixa, estão mais próximas da realidade, pois a maior parte da população torce para o time da cidade. Outra questão, aliás: por que os 80 clubes da Timemania são sempre os mesmos ?

Eduardo Pacheco De Carvalho
8 meses

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Excelente texto! Até parece, sem interpretações extensivas, que nosso mandatário remodelou-se politicamente. Repito que a espanholização veio com tudo, é preciso combatê-la, lutando contra a desigualdade e concentração de renda em geral, pois até o Futebol é afetado por tais males. Parabéns, MCP.

SERGIO VINICIO VIEIRA DE MOURA
8 meses

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Concordo com o petraglia tem que repartir o bolo com todo mundo porque só investir só dois ou três clubes de futebol não é justo!

Cacau Mano Flamengo
8 meses

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Muita choradeira e pouca torcida Dale Mengao

Alex Fernando Costa
8 meses

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Perfeito... Não tinho 1 vírgula do que foi dito pelo MCP. Mas conhecendo a mídia do "eixo" não darão a essa opinião o destaque merecido pois não convém aos "grandes". Cabe aos "menores" se unirem (com planejamento) e lutar contra "FLAGLOBO E GLOBINTHIANS"...

Bruno Henrique
8 meses

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Sempre muito sucinto o Petraglia, espero que a tal lei seja aprovada para que o Atlhetico se torne clube empresa e possa competir no mercado com os de mais clubes, o Atlhetico bate de frente com qualquer clube brasileiro dentro de campo mas fora dele perde contratações para bhaia, Fortaleza e qualquer outro clube que pague 300 mil ao seus pretendidos o Atlhetico sonda bons jogadores e outros clubes os contratam, hj no mercado o Atlhetico só faz o trabalho de achar talentos para outros clubes, o Atlhetico é só o olheiro espero mesmo que chova talentos da nossa base pois se depender de o Atlhetico ganhar de alguém no mercado vai complicar, estou curioso para ver com que técnico iremos para 2020. Especulou se os melhores mas vamos ver com quem realmente vem. bom, resta torcer, que venha 2020! e boa sorte Athletico.

Ariel Stelle
8 meses

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MCP visionário. Dá murro em ponta de faca. Um dia a faca quebra! Será!

João Hercílio Niemies Niemies
8 meses

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Imagina se o Athletico tivesse o favorecimento que o Flamengo tem, com essa estrutura e com esse estádio seria imbativel

Péricles Vinícius Faria Simões
8 meses

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Análise irretocável do Mestre. Com MCP venceremos o "sistema"!

JULIANO LUIZ MAKOHIN
8 meses

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Grande Mario, sábias palavras e análise.

Aldino Ab
8 meses

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Analise perfeita. Foi "normalmente" evidente neste campeonato. Com faltas invertidas, expulsões não dadas, VAR parcial, sempre a favor do time flavorecido. Porém tem ainda alguns times do eixo que se beneficiam do silencio obsequioso e "TV para ver um só canal, com uma só linguagem e abordagem" está ruindo. Demonstrado seja pela queda de audiência ou o resultado eleitoral de 2018. O FURACÃO é mais forte e na liderança de MCP vencerá ainda mais. Aldino