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O pai da caveira
Thiago Almada, da Arena – Luiz Mendes dos Santos Júnior é atleticano desde que nasceu. Ou quase. Porque nos idos de 1973 ao vasculhar as quinquilharias de sua avó, achou um prato pintado a mão em que ele aparecia ao lado de familiares vestindo uma camisa do Coritiba! Luiz se surpreendeu. Nem na sua memória havia algum registro deste passado… pouco negro e rubro. Mas segundo ele, "deu orgulho ao ver que já tinha mudado de time".
Aliás, o rival foi o pano de fundo para outro atleticanismo de Luiz Mendes em 1980. Mesmo após ter sido atropelado por uma ambulância do Hospital Cajuru na esquina das avenidas Sete de Setembro e Desembargador Westphalen, Luiz Mendes não desistiu de ir a um Atletiba na antiga Baixada. Foi ao estádio de cadeira de rodas e o único local de acesso na época foi junto com a torcida adversária.
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| Luiz Mendes e seu filho Rafael – nome dado em homenagem ao ex-goleiro Rafael Camarota – segurando a primeira caveira Foto: Site Oficial do CAP |
Mas o feito mais marcante de Luiz Mendes como torcedor do CAP e que, segundo ele, passará para os netos e bisnetos, é ser o dono da primeira bandeira com a caveira como símbolo da torcida atleticana. Segundo Mendes, "em 1983 na salinha da Torcida Organizada Os Fanáticos, foi discutido como fazer, no tamanho certo, qual o desenho da bandeira. Fiz minha sugestão e foi acolhida pelos amigos, de fazer uma bandeira preta com a caveira vermelha imitando uma bandeira Pirata! Minha avó comprou o tecido e costurou e eu paguei a pintura. Assim surgiu a primeira bandeira dos Fanáticos e todo o envolvimento da torcida com o símbolo da caveira", afirma.
Hoje, a bandeira fica guardada na residência de Luiz Mendes e só é usada esporadicamente quando seu dono a coloca em frente da casa. Estádio, nunca mais. A pintura, original de 1983, só ganhou um pequeno retoque: uma estrela dourada em 23 de dezembro de 2001.